Do logos ao pathos…

  • 23/12/2016
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Da razão para paixão... ou do pensamento até a doença padecemos todos de lógica e paradoxos tão antigos mas ainda contemporâneos...

 

 

O logos para Heráclito de Éfeso (século V a.C.) corresponde ao conjunto harmônico de leis que comandam o universo, formando uma inteligência cósmica onipresente que se plenifica no pensamento humano.

 

Logos em grego significa palavra escrita ou falada(verbo). Mas a partir dos filósofos gregos como Heráclito passou a ter um significado mais amplo. Passou a ser traduzido como razão, tanto como a capacidade de racionalização individual ou como princípio cósmico da Mentira e da Beleza.

 

O logos sintetiza, portanto, vários significados que, em português, estão separados, mas vem unidos em grego.

 

Vem do verbo légo(no infinitivo légein) que significa: colher, contar, enumerar, calcular, escolher ordenar e reunir; 2. narrar, pronunciar, proferir, faltar, dizer,declarar, anunciar, nomear claramente, discutir; 3) pensar, refletir. 4) querer dizer, dignificar, falar como orador, contar. 5) ler em voz alta, recitar, fazer dizer.

 

Lógos é palavra o que se diz, sentença, exemplo, conversa, assunto da discussão, pensar com inteligência, razão, faculdade de raciocinar, fundamento, causa, princípio,motivo.

 

Inicialmente foi nos escritos de Heráclito que a palavra logos mereceu destaque na filosofia da Grécia Antiga. Apesar de Heráclito parecer usar a plavra um significado não mutio difernte da maneira como era utilizada no grego comum dessa época, uma existência independente de um logos universal era já sugerida.

 

O referido logos, os homens, antes ou depois de o haverem ouvido, jamais o compreendem. Ainda que tudo acontece, conforme este LOGOS parece não terem experiência em tais palavras e obras, como eu as exponho distinguindo-se emt ais palavras e obras e, explicando a natureza de cada coisa. Os outros homens ignoram o que fazem em estado de vigília, assim como esquecem o que fazemd urante o sono.

 

O logos seria a justa medida, a razão (para a filosofia).

 

O pensamento de Nietzsche evolui ao ocupar-se de forma polêmica com a filosofia grega clássica. Afinal o filósofo caracteriza sua prática filosófica como a transformação do dionisíaco em apthos filosófico ( Ecce Homo, O Nascimento da Tragédia). O termo pathos é tomado aqui como contraconceito estratégico dirigido contra a metafísica europeia, que se aprensenta como uma filosofia do Logos desde sua fundação platônica.

 

Nietzsche em confronto com Platão criticou e desconstruiu determinados conceitos e a oreintação transcendente de seus precursor, mas por outro lado ele o repete como umt ransvalorador de todos os valores e como um artista filosófico.

 

Assim, em suas ambições críticas, Nietzsche descobre cada vez mais o indivíduo para além da filosofia do Logos: Sócrates para além do socratismo e Platão para além do platonismo. Ao demonstrar a relação tensa entre Nietzsche e Platão, enquanto doutrinadores, gostaria de argumentar um projeto de uma filosofia antimetafísica permanece ligado ao modelo da dialética socrático-platônica.

 

O final do século V a.C. e o século IV a.C., podem ser descritos como uma época de desbravamento do mundo através do Logos. Foi nessa época é gestado e desenvolvido um conceito de filosofia e de ciência que se manterá ao longo de toda história espiritual ocidental e que ainda determina de certa forma o pensamento contemporâneo.

 

Enquanto um discurso governado pela razão, o Logos entra em cena no contexto de surgimento da disciplina filosófica, que teve início com Sócrates, Platão e Aristóteles, como aquela autoridade que interroga a mutliplicidade e instabilidade de fenômenos do mundo da vida em busca de unidade que lhes é subjavente.

 

Platão fez com que seu personagem Sócrates, no livro Sétimo, da obra "A República", caracterize de forma enfática , essa nova orientação., essa conversão, metastrofe do devir para a verdade e o ser, pela via do pensamento, é enquanto libertação das cadeias, e ao mesmo tempo, uma conversão das sombras em direção à luz e a uma ascensão das regiões subterrâneas em direção ao sol.

 

Na crítica da metafísica, Nietzsche tem aqui seu ponto de partida, pois se volta desde o início contra o aspecto centralizador da razão, contra o seu caráter normativo, tanto universal como instrumental. A própria razão seria, segundo uma formulação incisiva do "Crepúsculos dos Ídolos", nada mais que um preconceito fundamental dos filósofos.

 

Mas, em face da modernidade, o filósofo de espírito livre aponta a necessidade de se emancipar até mesmo da razão. Enquanto umd istanciar-se da razão, bem semelahnte ao filosofar comprende como Pathos, ou segundo, o modo tardio de Nietzsche contextualiza seu próprio pensar, como a tradução do dionisíaco em um pathos filosófico.

 

O filosofar dos modernos permanece em princípio no interior de um espaço marcado e amplamente mensurado pelos gregos. Até mesmo os contraconceitos a ela remetem. A gênese dos cocneitos ou a invenção da razão, se assim quisermos, permanece o produto impar de uma experiência à qual já não temos mais acesso.

 

As distinções filosóficas fundamentais dos gregos foram rsoluções. A gênese dos conceitos ou a invenção d arazão, permanece sendo produto ímapr de uma experiência de que não podemos acessar.

 

Os gregos tinham uma opção que não temos mais. É essa consciência de que não podemos repetir o gesto inaugural de um primeiro acesso teórico que se alimenta tanto a admiração de Nietzsche como sua agressividade em relação à filosofia grega.

 

Afinal sua convivência crítica com a filosofia do Logos assume uma confrontação permanente com os protagonistas desta filosofia. Assim, sua relação com Sócrates e Platão oscila entre o fascínio e a demarcação de limites. Quando já cedo delineou suas próprias ambições filosóficas.

 

Numa célebre anotação, o filósofo foi autêntico em caracterizar o próprio pensamento pela via da negação em termos de um platonismo[1] invertido. Sua célebre confissão feita em 1875, foi assim: “Dito a título de confissão, Sócrates me é tão próximo que quase sempre me vejo em luta com ele”.

 

  

[1] A clássica epistemologia incrédula no que percebiam os sentidos. Pois as imagens eram sombras ilusórias d epensamentos. O salvaguarda da identidade que abriga a essência das coisas, passava por doxa...  Assim, o pensamento era essencialmente permanente e conceitual. 

Platonismo é a denominação da filosofia de Platão e de seus seguidores, ou de qualquer pensamento filosófico influenciado por Platão.

Foi imensa a influência de Platão na formação da tradição filosófica ocidental, sendo que Whitehead chegou mesmo a afirmar que toda a filosofia ocidental não passa de um conjunto de notas de rodapé á obra de Platão.

Historicamente o platonismo desenvolveu-se juntamente com a Academia fundada por Platão, em 338 a.C., existindo até o ano 529 da era cristão, quando o imperador romano Justiniano, com COnstantinopla, ordenou o fechamento das escolas filosóficas pagãs.

O platonismo, no entanto, não está ligado apenas à obra e pensamento de Platão, mas, em linhas gerais, ao dualismo entre corpo e alma, matéria e espírito, inteligência e sensação, pela crença em um mundo de formas ou objetos abstratos, autônomo de nosso conhecimento, pelo espiritualismo e a crença em doutrina da reminiscência; pelo recurso à dialética como forma de elevação do espírito para além do mundo sensível; por uma visão política que defende uma aristocracia do espírito nos moldes de A República.

Em muitos dos filósofos, que podem ser considerados representantes do platonismo podemos encontrar frequentemente, uma ou alguma dessas características, embora não necessariamente todas.

É nesse sentido, por exemplo, podemos coigtar contemporaneamente em filosofia da matemática no platonismo de Frege, na medida em que este considera os objetos matemáticos (tais como números) existentes independentemente de nosso pensamento e de nosso conhecimento sobre eles.

 

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