Política!!!

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(A criadora do caos)

Por onde se anda e para onde se olha o cenário é o mesmo: violência urbana, falta de respeito, funcionários públicos mal-tratados, desrespeitados em seus direitos, recebendo em parcelas, o mau uso do dinheiro público, o básico necessário à sobrevivência cerceado a um nível quase que sobrenatural, fome, miséria... E isso para apenas ficar no tema básico. Vivemos - diz uma vizinha minha, um senhora de mais de 70 anos - "dentro de uma poça de urina ambulante. E tem que ainda aplauda isso, vire a cara, não queira saber. Esse tal de povo brasileiro! Tem futebol.? Tem carnaval? Tem bebida alcoólica? Então, dane-se o resto!".

Parece triste e é. Na verdade, é muito pior do que qualquer coisa que você possa estar imaginando neste exato momento. A sensação legítima de que o país faliu e que nunca mais será o mesmo. E pior ainda: gente chamando isso de passageiro, afirmando que é "uma questão de tempo e tudo voltará ao normal". Eu só queria saber dessas pessoas o seguinte: já houve normal no Brasil nesses 517 anos de existência? Digo: normal mesmo? Que eu sabia...

Eu não queria fazer este artigo porque nunca fui fã de política (e provavelmente nunca serei). Na verdade, lutei contra ele com unhas e dentes. Pensei: "deixa isso pra lá! o teu lance é cultura, não isso aí". Mas há certos momentos em que a vida é mais forte do que nossos desejos e nos impõe uma tomada de posição. Como agora. Impossível não se posicionar ante cenário tão grave quanto o atual. Na verdade, o pior que eu já vi o país passar (pelo menos, para a minha geração - que não viveu o golpe de 64 e os 21 anos de regime militar).

Mas eu precisava de um estímulo. Um estímulo de real grandeza, que me apontasse um caminho. E o encontrei em Armas na mesa, longametragem cinematogáfico extraordinário, dirigido pelo cineasta John Madden (mais conhecido aqui em nossas terras pelos filmes Shakespeare apaixonado e O exótico hotel Marigold). Trata-se da história de Elizabeth Sloane, lobista feroz que luta para que uma lei a favor do porte de armas não passe no congresso. Mais do que isso: ela própria é a história viva dos verdadeiros mandantes de qualquer nação.

Não é de hoje, nem foi a tão temida globalização, que nos vendeu a ideia de que o mundo era um grande balcão de negócios, aberto às vontades de qualquer pessoa mais feroz (ou inescrupulosa) que queira enriquecer o mais rápido. Não, meus caros! Foi a própria sociedade e seu eterno desejo de obter status e riqueza a qualquer custo que construiu esse ideal. E confundiu isso com uma velha palavra tão odiada por brasileiros de oiapoque ao chuí. Política virou sinônimo de interesse, de negociata, transformou o país numa enorme corrida cheia de obstáculos, numa competição avassaladora rumo ao vil metal (ou à "solução dos seus problemas", dependendo de como você classifique o dinheiro).

É por causa de política (leia-se: um Estado podre, corrupto, que nunca se importou com o seu povo, e lobistas que financiam eleições esperando como contrapartida todas as mordomias possíveis e imagináveis) que não atingimos o nosso melhor, não vemos realizados nossos sonhos mais simples, não temos o direito a serviços básicos de boa qualidade. É por causa de política que não chegamos a lugar nenhum. Nunca.

Não pretendo citar nomes ou partidos, pois isso não levará meu texto a lugar algum. Correção: não citarei porque não acredito nisso e não vejo inocentes nessa história. Eu sou aquele cara que vota nulo entra eleição sai eleição e é chamado de maluco por aquelas pessoas que passam a vida a malhar políticos corruptos para na próxima eleição votar em... Novos políticos corruptos. Talvez eles precisem desses políticos revezando as cadeiras para ter sobre o que falar mal durante toda a vida. Eu, não! O problema nacional é mais gritante do que o proposto por coxinhas e mortadelas em discussões babacas em redes sociais que não valem nem como estudo de caso para um produto de marketing. Em outras palavras: não valem o meu tempo.

Na canção Chega! o rapper Gabriel, o pensador diz aquilo que todo cidadão brasileiro de fato pensa sobre o país: nós pagamos tudo, as viagens, as refeições, as roupas, as compras desse corja política. E o que temos em troca? Nada. Nós financiamos a nossa própria desgraça. E na hora de questionarmos ou reivindicarmos alguma coisa, o máximo que se vê são passeatas e manifestações "pacíficas" que em nada alterarão o rumo dos fatos. Eles não se sentem ameaçados. Eles nunca nos enganaram dizendo que nunca iriam nos roubar. Eles nunca prometeram dar um jeito no país. Se alguém ouviu algo perto disso, me desculpe, mas é mais surdo do que Beethoven.

Vivemos uma era em que o "deixa pra lá", o "não tem mais jeito", o "isso é um caso perdido" tem mais valor do que o basta!!!!, assim mesmo, cheio de exclamações. Nos acostumamos ao pior. Em alguns momentos, o aplaudimos porque ele aparece disfarçado de falsa esperança, de herói do povo. Mas não se esqueçam: outros heróis por aqui já passaram e meteram o pé do país na primeira oportunidade (depois de encher a burra, é claro!)

Quantas vezes você leu a palavra reforma nos jornais nos últimos seis meses? Quantas vezes você viu algum jornalista na tv falando em ajuste fiscal? Quantas vezes você viu algum demagogo nas ruas falando que "agora vai!"?

E quantas vezes você de fato acreditou? Mesmo? Não porque alguém lhe disse, mas porque você queria acreditar?

Se existe uma palavra sinônima para caos na humanidade, essa palavra se chama política. Fico sempre de olhar atravessado quando ouço os bobalhões da pátria defendendo a política como uma "arte nobre". Esses, os patriotas, são os piores! Sempre de voz macia, parecem viver num país de primeiro mundo, mas na prática, o que ganham mal dá para sobreviver. Mas estão ali, alienados, a serviço da prepotência estatal.

É hora de mudar, mas não queremos mudar. Não na prática. "Do jeito que está não dá mais", dizem as línguas esperançosas, mas não passa disso. De uma citação bonita para você usar nas conversas com amigos e colegas, para soar inteligente ou relevante. É preciso mudar o futuro, mas o povo nunca transpareceu ser tão imediatista quanto agora. Então... E agora? E agora, José? E agora, Drummond (que criou o José? E agora, João, Maria, Paulo, Teresa, Artur, Bruna, Amaury, Cláudia, Charles e quem mais estiver puto na fila das contas inativas do INSS, dos supermercados e farmácias e bancos?

E agora? Será que a hora já passou e nós nem percebemos? Ou será que tudo não passa de um sonho e com um estalar de dedos eu acordo? Deixa eu ver!

Tlec!!!

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